A transformação do processo educacional, tanto em seus fundamentos quanto em sua metodologia

Com a palavra a diretora pedagógica e mantenedora da LEADERS SCHOOL – Vânia Mesquita Trindade Silva – Pedagoga e Mestre em Educação

Falar sobre uma visão de educação escolar de qualidade não é tarefa fácil pois existem muitas maneiras de se encarar o processo educativo. Hoje em dia temos acesso a uma vasta literatura com muitas teorias e diferentes metodologias de ensino que visam objetivos específicos em cada uma delas.

Porém, na minha experiência cotidiana com as práticas pedagógicas que trabalho e já trabalhei, posso elencar seis itens essenciais para uma visão educacional que contempla de forma precisa uma formação significativa e efetiva aos educandos.

1) Em primeiro lugar é preciso enxergar o educando numa dimensão holística do ser, ou seja, o ser humano em sua totalidade. O aluno não chega em pedaços fragmentados na escola; ele é corpo, alma, espírito, intelecto, emoção, um ser histórico e social. Cada elemento compõe um ser completo e estes elementos devem ter o mesmo grau de importância e relevância na observação e no fazer pedagógico. Nesse sentido devemos entender também cada indivíduo como único; singular. Cada um tem suas necessidades, seu tempo de aprender, sua fase de desenvolvimento, necessita de cuidados e atenção específicos e tem também suas potencialidades particulares a serem desenvolvidas. Nesse sentido, todos são capazes e ao mesmo tempo demandam um olhar específico e atento por parte do educador. Não existe “turma homogênea” com os mesmos níveis intelectuais, mesmos comportamentos, mesmas habilidades e mesmas necessidades. Devemos prestar atenção nas necessidades e habilidades individuais, respeitando a heterogeneidade de uma sala de aula.

2) O ensino deve ser significativo. Não há aprendizagem efetiva de nada que seja forçado e sem propósito. Há apenas uma memorização vazia de sentido para o aluno, pois não foi gerado o encantamento, mas apenas uma necessidade de se cumprir um programa. O conhecimento deve encantar o aluno e aguçar sua curiosidade. Chega de apostilas com uma quantidade absurda de conteúdos bimestrais a cumprir que não chegam até a sua real significação para os educandos, pois, corre-se contra o tempo para cumprir os prazos, metas e resultados em provas, esquecendo-se que o aluno precisa ser conquistado pelo saber para que o saber o conquiste de volta.

3) A afetividade é outro ponto crucial na educação escolar. Ela muda radicalmente o rendimento de uma sala de aula em qualquer faixa etária. De que afetividade estamos falando? Temos aqui 3 aspectos importantes:

A) A relação afetiva do professor com a sua profissão, já que é preciso ter um propósito maior quando o assunto é ser educador;

B) A relação afetiva com a sua turma, pois o professor precisa gostar de trabalhar com seus alunos e valorizar e vibrar a cada pequena conquista com emoção, bem como ser um colaborador nos momentos de crise.

C) A relação afetiva com o conhecimento. Como é bom estabelecer um contato com um professor que ama o conteúdo que ministra, ele nos fascina, pois está fascinado, ele nos encanta, pois está encantado. Me lembro que foi assim que comecei a gostar de física. Meu professor de todo o Ensino Médio, (antigo 2o Grau), entrava e saía da sala respirando física, alegrava-se com cada fórmula, com cada desafio, vibrava com nossos acertos, encorajava a tentar de novo a cada erro. Quem diria que eu, pessoa muito voltada para a área das ciências humanas, gostaria de física? Culpa daquele professor que deixou a Física afetá-lo positivamente e me contagiou.

4) Interação; a sala de aula entendida como uma comunidade de investigação: Falar aqui em Pedagogia sócio-interacionista citando (Lev Vygostsky1896-1934) não é dizer que é a única forma que se ensina e aprende. Mas quero ressaltar a importância e os resultados dessa vertente. Proporcionar aos alunos um ambiente de aprendizagem por meio da interação, com o professor assumindo o papel de mediador dessa relação, torna o discente um agente ativo do saber. O aluno é um ser histórico e social e, portanto, carrega consigo saberes e interesses próprios. Oportunizar um ambiente interacionista revela que o conhecimento não é estanque e que pode transformar e ser transformado numa relação dialética, estando sempre atualizado e no centro dos interesses e inquietações dos estudantes, gerando criticidade, criatividade e evolução.

5) Inovação: parafraseando Fernando Pessoa; Inovar é preciso.  A perspectiva da inovação na área educacional deve acontecer urgentemente em pelo menos 2 âmbitos principais:

A) inovação do fazer pedagógico, no qual os educadores se auto avaliem constantemente e busquem novas maneiras de cativar e encantar seus alunos, perceber novas conexões com o mundo, observando seus alunos e como se envolvem com o conhecimento, trazendo uma nova didática, uma nova organização da classe, uma aula fora do âmbito de quatro paredes, etc.

B) Inovação na proposta pedagógica da instituição: os responsáveis pelas instituições de ensino devem estar sempre em busca de novos conhecimentos, revendo também seus currículos escolares e espaços de aprendizagem. Hoje em dia, por exemplo, a valorização de novas tecnologias, do desenvolvimento sócio emocional, da área da sustentabilidade e a ênfase numa nova visão do papel do educador, revelam à escola um caminhar mais eficiente do que as escolas que valorizam demais o conteúdo em detrimento do aluno.

6) Formação continuada e acompanhamento do trabalho docente: Para que as cinco perspectivas anteriores sejam efetivadas na prática, se torna essencial o investimento em uma formação continuada da equipe, bem como investir tempo no acompanhamento do trabalho do professor, colaborando para que seu trabalho esteja condizente com a visão da escola nas perspectivas da inovação, da afetividade, da interação, da significação, bem como se o educador está observando o seu aluno de maneira global, agindo nas áreas que ele necessita, para que juntos, alcancem a excelência.

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